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Fotos podem ser vistas pelo link: http://www.4shared.com/dir/7757362/2b9aeb8f/Expedio_Pantanal.html

Narrativa sobre a 9ª Expedição Pantanal 2007 (uma das cerca de 130 versões sobre a mesma trilha) 

Quinta-Feira, 06/12/2007

     Começa a chegar na cidade de Poconé (cidade que é um dos portais do Pantanal Matogrossense, localizado a 100 Km da cidade de Cuiabá) as 20:00h alguns dos 43 Jeeps, 3 Quadriciclos e 1 Caminhão 6X6 que participaram deste 9º evento produzido pela AMFE (Associação Matogrossense de Fora de Estrada), neste 1º dia é tudo festa, fechamos uma lanchonete da cidade e começamos a conversar sobre os equipamentos que cada veículo tem, lembranças dos anos anteriores, um mentindo mais que o outro para demonstrar vantagens que seu veículo possui, etc.

     Mal sabíamos o que nos esperava nos próximos dias, e como tinha sido uma semana aparentemente com pouca chuva, pensávamos que o Pantanal estava um pouco mais manso este ano. 

Sexta-Feira, 07/12/2007

     A partir das 08:00h nos reunimos num posto de gasolina para fazer os ajustes finais dos veículos, abastecer os isopores, calibrar os pneus e principalmente abastecer pois seria 200Km de trilha em condições que desconhecíamos.

     Todo ano fazemos entrega de brinquedos para alguma comunidade, e sempre temos o Tairone Conde da Costa que é nosso Papai Noel oficial, não pelos dotes barriguísticos dele, e sim pela sua simpatia com a criançada. Só que este ano o Tairone se atrasou demais e tivemos que improvisar com um Jipeiro corajoso (Adriano Polaris) que quisesse enfrentar as 500 crianças da comunidade, dentro daquela roupa feita para o Pólo Norte em um calor de 40º.

     As 9:30h, após convencer este “voluntário”, e todos os outros jipeiros com os gorros de Papai Noel, partimos em comboio para a Associação Boa Esperança, onde o caos estava nos esperando, imagine controlar estas crianças que estavam nos aguardando desde cedo dentro do centro comunitário.

Fizemos 1 corredor com brinquedos de meninas de um lado e de meninos de outro e fomos chamando aquelas crianças, tinha criança que furava fila, outras que ficavam cutucando as costas, uma que pegavam mais de um brinquedo, enfim uma “trilha a parte”.

As 11:30h, conseguimos entregar os brinquedos para esta comunidade (doamos mais 120 brinquedos para uma creche, e 200 brinquedos para a APAE) e começamos a partir para o local da largada.

As 12:00h estávamos prontos para partir, mas o nosso cinegrafista oficial (Lázaro Ramos) tinha ficado perdido dentro da cidade e perdemos o contato com ele. Através do radio PX e com a ajuda do GPS, conseguimos ver a sua localização exata e resgata-lo, só que esta operação durou cerca de 1 hora para ser concretizada.

As 13:30h finalmente começamos a nossa jornada. Como foi montado várias equipes (a nossa equipe tinha 7 veículos e 2 quadriciclos) e era obrigatório o uso de GPS e Rádio PX em cada equipe,  algumas equipes já tinha partido e iriam nos aguardar na “Fazenda do Paulo Bonitão” que era a cerca de 30Km de Poconé.

As 14:30h, encontramos a maioria dos participantes nesta Fazenda, preparando almoço, alguns deitados em rede, outros cantando (nossa Expedição também tem um cantor oficial), pois como estava uma poeira danada, achavam que o Pantanal estava seco e que tinha todo tempo do mundo para continuar a jornada.

As 15:00h depois de tentar convencer várias equipes a partir (e não conseguindo), resolvemos não parar e continuar pois o Pantanal é traiçoeiro no período noturno, então devemos andar o máximo possível durante o dia e usar a noite para recuperar a energia para o próximo dia.

As 16:00h após andarmos cerca de 50 Km de trilha, o Pantanal começou a mostrar as suas garras em pequenos trechos de corixos fundos, facões de trator e tocos de madeira debaixo d’água que começava a atrasar o andamento da Expedição.

As 18:30h (70 Km de trilha), o GPS nos “pregou uma peça”, ele indicava uma direção que estava nos levando para as profundezas do Pantanal até darmos de cara com uma cerca dentro de uma mata, onde não conseguíamos andar nem para um lado nem para outro, após algumas tentativas resolvemos parar os carros e pegar 2 quadriciclos para achar um modo de sair daquela situação. Um quadriciclo partiu para o lado direito (direção no qual o GPS indicava) e outro para o lado esquerdo, quando começou a escurecer, voltamos para onde os veículos estavam (e diga-se de passagem, se não tivéssemos marcado o waypoint da localização, estávamos até hoje tentando encontrar os veículos). A equipe que partiu para a esquerda encontrou uma alternativa e decidimos seguir nesta direção.

As 19:00h quando tentei andar com o meu veículo, ele simplesmente engatava, mas parecia estar em ponto morto não ia nem para frente nem para  trás, um companheiro de equipe (Clovis e Dionny Rotilli) me puxaram para trás e o carro voltou a andar, pensamos “consertou sozinho”.

As 19:10h (10 minutos depois) o veículo parou e agora com um barulho de câmbio quebrado, quando engatava uma marcha e soltava a embreagem fazia barulho de engrenagem “comendo”, na tentativa de rebocar, vimos que a roda traseira estava travada e pensamos, pode ser diferencial traseiro, o nosso mecânico de horas de folga Edson Matias Bakes, disse, o eixo traseiro é flutuante, vamos tirar a ponta de eixo que se for diferencial, ele volta ao normal. Quem disse que conseguimos tirar aquela ponta de eixo? Fizemos de tudo mas não deu certo, a solução foi criar coragem para deitar no chão encharcado e tirar o cardã traseiro.

As 20:30h já estávamos com o carda na mão, mas o problema continuava, outro companheiro de equipe Cacildo Macedo Filho, resolveu nos rebocar até a fazenda mais próxima, mas não conseguimos andar 200 metros e o Engesa dele atolou, e tivemos que tomar a decisão mais difícil para um jipeiro, “abandonar o veículo”, eu e minha esposa (Jucemara Godinho), juntamos nossas redistribuímos nossas tralhas de acampamento nos outros Jeeps e pegamos carona. (Enquanto estávamos neste processo de arrumar cardã, desatolar, etc, alguns membros de nossa equipe chegaram numa fazenda que estava a 3 Km da nossa posição)

As 21:00h encontramos mais 3 membros de nossa equipe atolados até o “S” a 500 metros de onde abandonamos nosso carro, ficamos no processo de desatolar até as 21:30h (eles já tinham adiantado bastante o serviço de guinchar e macaquear os veículos)

Após vencer mais este último obstáculo do 1º dia, partimos para a Fazenda onde o Sr Dito (80 Km de trilha), nos atendeu muito bem (um senhor de uns 45 anos que vive sozinho na sua casa cercada de água durante 6 meses de todos os lados)

As 00:00h, após tomar banho de balde em um poço e fazer o jantar, já estávamos prontos para dormir.

Sábado, 08/12/2007

     As 06:00h acordamos e começamos a montar a estratégia para o próximo dia, tínhamos que voltar para resgatar o meu veículo, por rádio soubemos que tinha mais 4 Jeeps de Guarantã do Norte e 2 de Cuiabá que dormiram dentro d’água a 1 Km para trás e uma equipe de 8 Jeeps de Rondonópolis que também dormiram dentro d´água a 800 metros de nossa fazenda, mas por um caminho alternativo, menos difícil que por onde passamos.

     As 06:30h chega 2 Jeeps de Rondonópolis desbravando as águas do Pantanal com o ponteiro no “doze”, foi uma festa, nos abraçamos e soubemos notícias das equipes que estavam para trás (cerca de 18 Jeeps e 1 caminhão).

     As 07:00h chega mais 6 Jeeps de Rondonópolis, 1 com o motor fundido sendo rebocado.

     As 07:30h partimos com 2 quadriciclos para sinalizar o caminho alternativo que a equipe de Rondonópolis encontrou, enquanto isto 3 Jeeps (Feijão, Decinho Mineiro e Sandro Aroeira) se prepararam para resgatar a equipe de Guarantã, de Cuiabá e o meu Jeep.

     As 08:30h encontramos 4 Jeeps de Rondonópolis (1 sendo rebocado), vindo pelo trajeto que nós tínhamos passado na noite anterior, e conseguimos evitar que eles continuassem, sugerimos que eles fossem pela trilha alternativa

     As 09:30h os nossos companheiro tinham conseguido ajudar as equipes de Guarantã e de Cuiabá e chegaram no meu Jeep. O Sandro Aroeira, seguiu para encontrar o melhor local para rebocar meu Jeep quando sua Hilux fundiu o motor.

     As 10:30h chegamos no acampamento, com o meu veículo rebocado e a Hilux do Sandro Aroeira também rebocada, onde fui recepcionado com muita emoção no meu aniversário com direito a bolo, presentes, bexigas e muitos abraços por todos (surpresa preparada por Mônica e minha esposa).

     As 10:45h conseguimos fazer contato com a Equipe do Ricardo DocCenter (com 5 veículos) que estava a 8 Km para trás com alguns problemas mas felizmente andando.

     As 11:00h Marquinho (um eletricista e mecânico de fim de semana amigo nosso de Guarantã do Norte) e o Crentinho (Torneiro Mecânico, customizador de veículos e inventor), decidiram que iríam desmontar minha caixa de transferência apenas para ver se dava para resolver o problema. Primeiro foi constatado o problema: “quebrou algumas peças de dentro desta caixa”, solução: “vamos tirar tudo que não precisa e deixar apenas a corrente de transferência”, precisávamos de 2 tipos de arroelas de tamanhos impossíveis de se encontrar no Pantanal, após usar o paquímetro e sair em busca destas arroelas, descobriram que a bitola de escapamento e a bitola de cabo de macaco hidráulico dava para resolver o problema, conclusão fizeram meu Jeep ficar com tração 4X4 integral (sem reduzida)

     As 16:00h meu carro já estava pronto para ser testado, fiz algumas manobras radicais próximo ao acampamento, foi quando chegou a equipe do Ricardo, entre mais um pouco de festa e abraços, resolvemos partir, eles tinham que fazer mais alguns ajustes nos veículos mas também já estavam partindo

     As 16:30h partimos e o Pantanal começou a afundar mais ainda, era um trecho interminável de 15 Km com água de cerca de 70 cm de profundidade (alguns até mais fundo), onde não podia parar, dentro d´água encontramos algumas equipes que tinham saído as 14:00h do acampamento e estavam tentando tirar seus veículos destes locais até agora.

     As 18:30h, saímos deste grande trecho alagado e começamos a pegar trechos mais altos, mas não menos difíceis, a roda da Toyota Bandeirantes do Sr Clovis Oestemix, simplesmente saiu que tivemos que procura-la dentro do mato, o meu Jeep tinha quebrado o flexível do freio dianteiro e fiquei sem freio, mas enquanto montava a roda da Toyota, conseguimos isolar para ter freio pelo menos em três rodas

     As 19:10h chegamos na Fazenda Santa Inês (105 km de trilha), onde fomos recebidos pelo Sr Oswaldo (diga-se de passagem um Fazendeiro “muito louco” que gosta de ler muitos livros de filosofia e ouvir Dimi Hendrix no som máximo)

     As 21:00h após termos jantado, cantado, dançado, fomos conversar e ouvir as últimas notícias (pelo rádio) sobre os 4 Jeeps de Guarantã que ainda não tinham chegado.

     As 23:00h partiu de quadriciclo o Roberval e o Feijão para ver como estava a situação real desta equipe pois eles por rádio falavam “estamos quase chegando” e não chegavam nunca...

     As 00:00h, eu, o Arauto e o Filho do Nildo, decidimos pegar o trator da Fazenda e voltar para resgatar nossos 4 companheiros que estavam com 1 Jeep rebocado e outro só com tração dianteira.

     As 01:30h já estávamos de volta na fazenda onde o Cacildo preparou um churrasquinho para recebe-los

     As 02:00h finalmente com a missão do dia cumprida, pudemos descançar em paz.

Domingo, 09/12/2007

     Acordamos as 07:00h com aquela sensação de “estamos salvos”, afinal faltava apenas 95 Km de estrada boa para voltar, fomos novamente nos reestruturando, vendo os veículos que ainda tinham condição de andar e rebocando os com problemas graves.

     Algumas equipes foram partindo conforme se reestruturavam, e nós ficamos na última equipe a partir

     As 08:30h finalmente saímos, mas no Km 96 já encontramos a Toyota Bandeirantes do Djaci com problemas, motivo para o Cantor Oficial (Renato) tirar sua viola e fazer um “show a parte”.

     As 09:30h conseguimos resolver o problema do Djaci, mas a dificuldade do terreno estava grande, muitos facões de trator embaixo d´água que nos impediam de andar mais rápido, e o Engesa do Márcio Satélite só com a tração dianteira era outro problema.

     As 14:00h (130Km de trilha), resolvemos retirar o diferencial do Jeep que estava rebocado e passar para o Engesa do Márcio, nossos intrépidos Marquinho e Crentinho novamente entraram em ação e enquanto uns faziam o almoço, eles “se acabavam naqueles Jeeps”

     As 16:30h, Cacildo (Engesa) rebocando um Jeep Willys, Roberval (Troller com problemas no alternador) e Bruno resolveram ir enquanto nós terminávamos o serviço do Engesa, mas não andaram nem 100 metros e já plantaram.

     As 16:45h chegou um trator rebocando a Hilux do Sandro Aroeira,  ajudou a retirar eles do atoleiro e ficou esperando nós para partirmos juntos.

     As 17:30h já com todos os nossos veículos andando, já estávamos em uma parte mais alta do pantanal, onde a poeira começava a dar seus sinais.

     As 20:00h (170 Km de trilha), chegamos na Fazenda do Paulo Bonitão que estava nos esperando com um grande churrasco de confraternização

     As 21:30h (200 Km de trilha) estávamos de volta em Poconé prontos para ir para casa.

     Conclusões:

         _ Dos 43 Veículos, 3 quadriciclos e 1 caminhão que participou da 9ª Expedição Pantanal:

- 10 Veículos chegaram em Poconé no Domingo as 09:00h

- 12 Veículos chegaram em Poconé no Domingo as 13:00h

-  3 Quadriciclos chegaram em Poconé no Domingo as 22:00h

-  8 Veículos chegaram em Poconé no Domingo as 21:30h

-  8 Veículos chegaram em Poconé no Domingo as 23:00h

-  2 Veículos chegaram em Poconé na Terça as 17:00h

- 3 Veículos e 1 Caminhão chegaram em Poconé na Quarta as 18:00h

André GutGut